sábado, 19 de maio de 2012

BEM-VINDO AO INFERNO



      Ritinha fora abandonada pelos pais, e desde então vivia na rua, pedindo esmolas, praticando pequenos furtos e algumas vezes se aventurando à noite, entre mulheres e travestis. O diminutivo em seu nome não era apenas por ser franzina, mas também por conta da sua idade; ela tinha apenas 13 anos. O que não impendia, é claro, que alguns homens se interessassem em sair com ela.
       Em uma noite de sexta feira, após muita dificuldade, Ritinha conseguiu um lugar pra ficar na Rua das Vagabas (a mais movimentada da região). As outras prostitutas não gostavam de tê-la por ali, pois ela chamava muita atenção por ser criança, o que lhes tirava clientes e ainda atraía a polícia. Mas logo Ritinha ficou feliz ao ver um cara dentro de um carro a chamando. Foi até ele, que disse:
- Quanto?
- Depende.
- De quê – perguntou o homem.
- Do que ocê quer fazer né?
- Eu quero barba, cabelo e bigode.
- Então é 50.            
    Ritinha entra no carro de JJ (como gosta de ser chamado pela família e pelos amigos). Seu nome na verdade é João Júlio, e ele é um estudante de direito; entretanto, detesta o curso e só vai à universidade para que seu pai não se zangue. Neste dia, tivera uma das aulas mais chatas de sua vida, e por isso decidiu passar na Rua das Vagabas, em busca de diversão. Enquanto não chegavam a lugar nenhum, Ritinha ia pensando no que faria com o dinheiro. Ao terminar o serviço, iria comer aquele sanduíche que vem com todos os tipos de carne, e amanhã, quando o supermercado abrisse, compraria uma barra de chocolate, bem grande.           
    Ao parar o carro, JJ o desliga, manda Ritinha descer e tirar a roupa. Mas ela tem uma surpresa: estão em um matagal. Estava tão concentrada pensando no que iria comer, que não percebeu para onde o homem dirigia. Ela desce contrariada, e diz:
- Pera aí seu moço. Me leva pra um quarto.
- Tava pensando que eu ia te levar pra tomar banho de espuma era?
- Eu quero voltar seu moço. Me leva pra rua – diz Ritinha.
Nesse momento JJ tem uma crise de riso, e diz para si, em meio às suas risadas:
- Pensou que ia tomar banho de espuma, ai que engraçado!
Ritinha tenta voltar para o carro, mas seu cliente a agarra, e quando percebe que ela está chorando, grita:
- Cala a boca!            
     Na volta, JJ a deixa na Rua das Vagabas. Ela, quase sem voz, pede seu dinheiro, e ele, após dar uma gargalhada, sai arrancando o carro. Ritinha começa então a chorar, pois além de não receber o dinheiro, está com fome e sente dores pelo corpo; não iria conseguir sair com outro homem naquela noite. Pensa em ir pedir ao dono da lanchonete que lhe venda fiado, ele às vezes era até simpático com ela. Mas o carro da polícia para ao seu lado, e alguém pergunta:
- Tá fazendo o que aí mocinha?
- Nada – responde a menina, que por um instante pensa em contar o que houve para os policiais.
- Então vaza, vaza - diz o policial que dirigia a viatura.
Ela começa a andar para o lado oposto da lanchonete.            
    Pela manhã, Ritinha acorda sentindo seu corpo ainda mais dolorido. Mas não podia ficar ali deitada, daqui a pouco chegaria o dono da loja que ela gosta de dormir em frente, gritando, dizendo que já disse milhões de vezes que não a queria na frente da sua loja. Todo dia era a mesma coisa, mas como Ritinha se sentia segura naquele lugar,  nem se importava com os gritos do homem. No fundo, ela até achava que aquele senhor tinha razão: quem quer um pobre sujo na frente do seu negócio, espantando os clientes?            
    Ela então levanta, com dificuldade, e decide ir ao hospital – as dores estavam aumentando, e desse jeito nem para roubar um pão ela tinha forças. Agora também sentia uma dor no estômago, e muito frio. Ao entrar no Hospital a recepcionista pergunta o que ela quer, e Ritinha diz que está sentindo muita dor no estômago e no corpo. A atendente pergunta onde estão os pais dela, e ela responde que não tem.
- Tem algum documento com você?
- Docu o quê moça?
- Certidão de Nascimento, identidade, tem? 
- Não.
A recepcionista diz que ela espere, pois verá o que pode fazer para atendê-la.
    Já haviam se passado mais de três horas, e Ritinha continuava ali, esperando. Sente que precisa se deitar, mas não há lugar nem para sentar. Sai de dentro do hospital e encontra uns papelões no lixo. Leva-os consigo e se deita em um beco pouco movimentado, ali perto do Hospital, porque assim podiam ir chamá-la quando chegasse sua vez. Avisa ao segurança: “Tô ali deitada viu moço?” O segurança dá de ombros.            
     Na manhã seguinte, uma senhora que passava por aquele beco, atrasada para o trabalho, tropeçou em Ritinha. “Diabo! Sai do meio”, grita a mulher, que só pensava na desculpa que iria inventar para seu chefe, aquele brutamonte. Mas Ritinha não sentiu nada, e nem ouviu ser chamada de diabo. Coisa, inclusive, que ela temia muito.           
   João Júlio, que nesta mesma manhã estava chegando em casa, após mais uma noite de diversão, ao entrar no seu quarto, sente um calafrio. Corre imediatamente para tomar um banho quente, e em seguida vai se deitar. De repente, alguns homens invadem o seu quarto, e começam a despi-lo. Ele tenta gritar, mas não consegue, simplesmente sua voz não sai. O que iriam fazer com ele, pensa JJ, assustado. Mas ele acorda, suando, arfando, e aliviado. Fora um sonho ruim. Volta então a dormir, mas dá um pulo da cama, ao ouvir alguém abrir a porta do seu quarto. Ritinha entra, e diz: “Bem-vindo ao inferno”.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PORQUE EU JÁ TÔ DE SACO CHEIO!




Sim, é verdade, a oposição tem se aproveitado. Mas, eu estou de saco cheio de ouvir dos defensores de Ricardus I que toda essa “conversa” sobre a #AutomiaDaUepb não passa de intriga e oportunismo da oposição. Caros defensores, caso ainda não saibam, a própria Marlene votou no Reicardo, eu, Fabiana de Araújo e Silva, que aqui vos escrevo, também votei nele, assim como tantas outras pessoas que demonstram estarem arrependidas, ou pelo menos, desgostosas com o atual governo. Essas também são as pessoas que estão pedindo pela #AutonomiaDaUepb.

Sim, é verdade, algumas pessoas, inicialmente, falavam em privatização da #UEPB. Mas, eu estou de saco cheio de ouvir dos defensores de RuimCardo coisas como: “começaram falando em privatização, e quando viram que não ia dar em nada mudaram pra autonomia”. Marlene nunca mencionou a palavra privatização, e se alguns oportunistas da oposição a usaram, não queiram também usar de oportunismo para prejudicar uma campanha limpa, que visa apenas a defesa da #AutonomiaDaUepb.

Sim, é verdade, Marlene é pré-candidata à Prefeitura de Campina Grande. Mas, eu não estou de saco cheio de ouvir isso não, eu estou a ponto de ter um piripaque quando eu ouço defensores de Vossa Majestade Ricardo Coutinho insinuarem que a Reitora tem usado a UEPB como palanque para se promover. Imagino que se isso é verdade, em 2003, quando Marlene fez greve de fome, e acampou durante dois meses em João Pessoa, visando apenas a melhoria da universidade, deve ter pensado algo como: hummmmmmm, vou começar a me promover para a Campanha de 2012. Por favor, como a própria Marlene já disse, ela não quer e não precisa desse tipo de mídia. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

COMO ESCREVER UMA CRÔNICA


A nova professora de Tavinho pediu que toda turma escrevesse uma crônica, com tema livre, e entregasse na próxima aula. Tavinho não gostou nem um pouco da ideia, porque o dia para entregar a tal crônica era na segunda-feira, e ele teria que passar o fim de semana fazendo algo que ele detesta: escrevendo.

Como ele tinha sido reprovado ano passado, não podia deixar de escrever essa crônica de jeito nenhum, e o jeito era tentar escrever o mais rápido possível, para poder aproveitar um pouco do fim de semana, e não ter que contar aos seus amigos que não ia ao shopping porque tinha dever de casa para fazer. Imagina a zoeira que ia ser!

Pegou papel e caneta e começou a escrever ... “Era uma vez em um mundo tão tão distante...” Mas aí ele lembrou do que a professora falou, que Era uma vez a gente só usava para contos de fadas. Lembrou também que Suzana, a sua nova professora, tinha dito que as crônicas tratam de acontecimentos cotidianos, que circulam em meios de comunicação como jornais e revistas.

Tavinho então correu para o computador e começou a ler sobre todas as notícias do dia, com o intuito de encontrar uma boa história e escrever sobre ela. Ia ser fácil demais, ele pensou. Porém, nenhuma das notícias lhe trouxe inspiração, porque ou eram notícias muitas tristes - sobre assassinatos, deslizamentos e miséria; ou eram muito chatas - sobre o Photoshop que usaram naquela atriz gostosa, ou o novo corte de cabelo da Fátima Bernardes.

Começou a desanimar, e ao invés de tentar escrever alguma coisa, amassou a folha em branco e jogou no chão. Imediatamente, sua gatinha Afrodite deu um pulo e tentou pegar a bola de papel. Tavinho passou a observar todos os movimentos de Afrodite, que jogava a bola para lá e para cá, se escondia como se a bola fosse um monstro que estivesse a perseguindo, e depois aparecia do nada e dava um bote em cima da bolinha de papel, jurando que tinha conseguido derrotar seu inimigo.

Sua mãe, que também assistiu toda cena, falou: “Essa Afrodite, quanta imaginação ela tem”. Ao ouvir isso Tavinho deu um pulo, beijou sua mãe em sinal de agradecimento, pegou outra folha e começou a escrever sobre o que os escritores têm em comum com os felinos: muita imaginação.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

AOS QUE NÃO DIZEM NADA


Você me viu indo embora e não disse nada. Eu fui morar perto daquela pracinha e um dia eu te vi passar por ela. Como no dia em que me viu partir, você passou e não disse nada. Decidi ir embora para longe e você nunca perguntou para onde. Depois de algum tempo eu voltei. Bati em sua porta e gritei alto o seu nome. Mas quem apareceu foi sua mãe, dizendo que você tinha ido embora. Não pude acreditar: teria ido me procurar? Tentei encontrar alguém que soubesse de você. Talvez aquele seu amigo idiota, quem sabe. Mas ninguém sabia coisa alguma, te viram indo embora e não disseram nada. Desde esse dia passei a sonhar com você todas as noites, batendo em minha porta e perguntando o que tinha acontecido naquele dia, para eu ir embora daquele jeito. Depois nós nos abraçávamos. Era lindo! Eu sentia seu perfume... Até que você corria, corria de mim, e eu não dizia nada.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ideia para um panfleto



Siga nossas dicas e aprenda a educar o seu filho, mal. É de suma importância que seu filho esteja presente em todas as situações descritas abaixo:



1. Não leia livros;

2. Nunca doe nada;

3. Não separe o material reciclável;

4. Receba troco a mais e não devolva;

5. Ao encontrar um animal abandonado na rua, chute-o;

6. Grite com seus funcionários, bem alto e grosseiramente;

7. Sempre que forem pedir alguma ajuda à sua porta, grite: Vai trabalhar vagabundo;

8. Quando um cego precisar de ajuda para atravessar a rua, finja que não está vendo;

9. Ao entrar idosos, gestantes ou deficientes no ônibus lotado, não diga ao seu filho que o correto é ele levantar para dar o lugar;

10. Ao terminar de ler este panfleto, jogue-o pela janela do ônibus.

CONTO DE ESCOLA DO SÉCULO XXI



O professor entra na sala. Lá está ela o observando: a câmera. Os alunos, ao contrário, nem notam sua presença, estão gritando e jogando bolas de papel um no outro. João, o professor, pensa em gritar, dizer que esse tipo de comportamento é uma verdadeira falta de respeito, mas logo se lembra dela, a câmera. João então se controla, e começa pacientemente a pedir que seus alunos se acalmem. Aos poucos ele consegue, e começa a escrever um Exercício de Fixação no quadro. Quando termina, avisa aos alunos que eles devem entregar a atividade até o final da aula. O professor, cansado, senta em sua cadeira e começa a pensar se já depositaram seu salário, afinal já era dia 23, e ao ser contratado disseram que do dia 10 não passava. Claro que era mentira, pois desde o dia 10 checava sua conta bancária todos os dias e até agora não haviam depositado dinheiro nenhum.

Mas de repente João acorda, dá um pulo e começa a circular pelas mesas dos alunos e imaginar se a diretora o vira cochilar em sua cadeira. Com os alunos não se preocupa, como sempre eles não lhe dão a mínima atenção. Nenhum aluno lhe pergunta nada, suas pernas doem, mas ele continua a circular entre as fileiras, esperando que a aula termine. Finalmente, para professor e alunos, o sino toca. João recebe as atividades e arruma suas coisas rapidamente - faltam apenas 30 minutos para começar a aula na próxima escola em que trabalha, e ele ainda pretende ir ao banco.

Ao passar em frente à sala da diretora ela o chama. Seu coração gela, tem certeza que ela o chamou para repreendê-lo por ter ficado sentado na cadeira e cochilado. Ele entra na sala e tenta não mostrar nervosismo. A diretora então sorri, e diz que gostaria apenas de parabeniza-lo pela aula de hoje. O professor, obviamente, não entende nada, mas agradece e sai aliviado. Ao subir na moto, pensa se a diretora realmente olha pela câmera, e sai pilotando. Porém, logo esquece esse assunto, pois chegou ao banco e precisa se apressar.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Associação de Amigos dos Animais Abandonados - A4


Hoje escrevo com a intenção de ajudar divulgar o trabalho da A4, uma associação que ajuda animais abandonados. O abrigo da A4 está em obras, e precisando muito de ajuda, pois não param de aparecer animais sofridos e abandonados; e a associação sobrevive apenas de doações (que nem sempre são mensais). Como objetivos eles têm: prestar socorro aos animais de rua vítimas de atropelamentos, maus-tratos e doenças (na medida das condições dos sócios); realizar cirurgias de esterilização em todos os animais que chegam até a A4; recuperar esses animais e encaminhá-los para a adoção (Termo de Responsabilidade); representar animais vítimas de maus-tratos perante o Ministério Público; fiscalizar a atuação do município na política de controle das populações de animais de rua; atuar em parceria com o poder Público na educação para a posse responsável dos animais de estimação; aumentar o número de sócios contribuintes e arrecadar doações da comunidade, de empresas e quaisquer interessados em colaborar com a A4.

Tá louco pra ajudar né? Então é o seguinte, você pode ajudar de várias formas: Associando-se como sócio efetivo, para contribuir com uma mensalidade a partir de 20,00 reais, e frequentar as assembleias da ONG, escolher uma atividade que possa desenvolver dentro da A4, como por ex: atuar na divulgação, trabalhar no abrigo diretamente com os animais, recolher as doações de outros contribuintes, trabalhar nas feiras de adoção, nas escolas com as palestras ou outra ajuda que você possa oferecer de acordo com sua afinidade e disponibilidade de tempo, ou associando-se como sócio contribuinte, sem nenhuma obrigação além da mensalidade, que pode ser em qualquer valor, a partir de 10,00 reais. Também pode doar ração (para cachorros: bold, nutridog, foxy, dogshow e para gatos: chef cat, cemiao, milk cat e wiskas filhote), materiais de construção, de limpeza, medicamentos, divulgar o trabalho da A4, ADOTAR UMA FOFURINHA ABANDONADA, e o mais importante: NÃO ABANDONAR SEU BICHINHO DE ESTIMAÇÃO.

A equipe da A4 se disponibiliza a ir até a sua casa e buscar as doações, basta você dizer o endereço e o melhor dia e horário para eles aparecerem :) Não é super conveniente? Então...

Para ajudar, ligue 8824-2370 e fale com a Marina.

Para adotar, ligue 8750-7078 e fale com a Carol.

Ou tentem entrar em contato pelo facebook: http://www.facebook.com/pages/A4-Associa%C3%A7%C3%A3o-de-Amigos-dos-Animais-Abandonados-PB/193817623986853